Um poema desperta em mim
como um galo uma ogiva desperta
uma insone madrugada silenciosa
em Israel
Este que sou – junturas
ossos palavras átomos
de uma genealogia octogenária –
toma-se pelas mãos
e desabriga-se
desagua-se no irrelevante vir a ser
da poesia
que nasce sangue e adaga
da mutilada síntese da memória
ou do agora.