austera meretriz, fria ponciana,
saibas tu, ao menos,
a extensão e profundidade
do teu incisivo sol glacial,
adaga vilipendiosa,
na terna ferrugem da carne.
Ó musa imperfeita!
Ártica Imperatriz de civilizações
tragadas na tua ígnea frialdade,
dize-me, primogênita à indiferença,
que regozijo te chamusca a face
se observas, no outro, dessubstanciar-se
risos primaveras e palavras?
Amas a inevidência do riso.
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Mas não te preocupa a palavra:
vê-te na poesia, põe-te orgulhosa,
porque é preciso grandiloquência
para dizer-te, e coragem
para te sorver incontáveis vezes.
14/07/2013
