sábado, 11 de outubro de 2014

IV CANTILENA A ORFEU



Orfeu,
ainda que entre nós permaneça
aquela que é insipida eloquência
e me obrigue a rir rasos risos
de lânguidos entardeceres vãos
e te desabituas de caminhares comigo.
Eu serei para ti porto e confitente.
E meus caminhos, os saberás de cor,
porque de sol constelações e fachos
os manterei acesos, para ti.
Mas, porém, que tua estendida ausência
de mim não demova a persistência
de ser para ti esteio que buscas,
tampouco evada tua canção lunada
desta memória que te cria e reclama.
Orfeu, que não se demore tua quietude.
Nem por outros desabituemo-nos
de nos ser.