sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Teor Alcoólico

                                                                                      A mi querido Danilo Audi

Difícil de beberse el vodka
es la resaca
así como de la pasión
la indiferencia.

¿Qué te costa beber
una, dos, tres copas

mostrando en seguida
tatuado en el rostro, en el pecho
y en las vísceras digestivas
tu verdad?

La verdad está bajo
artificiosos medios
que usamos para soterrar
nuestra seriedad
este constante impedimento
de no ser pájaro
locura en los versos de Artaud
o realización pública en cadena orgásmica...
Voluntad de ser
o más allá de esta única vertiente
a la bella demostración de tu verdadero yo
sin artificialidad alguna. Traducción de Thalma Tavares

sábado, 11 de agosto de 2012

Beijo

Ele veio com uns beijos de xilocaína.
Eram assim encurtados
como uns stacattos
acrimoniosos
e nem tinham encanto algum.
 – o dia pesava mais
    que a vida
e eu me fazendo borbulha
sobre esta fria incandescência.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Architectatiae Silentium



Teu passo à minha casa se fez estreito.
E mais prolongados meus olhos
a percorrerem, tetos muros desfiladeiros,
vestígios de caminhos percorridos por ti       
quando ainda te interessava
meu corpo sulcado de heras.
Vinhas e permanecias capaz
silenciar meu canto de nostalgia
se na palavra-Poesia eu te descrevia
FOME. Protuberância
pesando sobre meu corpo
riscado nuns dourados teus.
Deixastes riscado na minha face
múltiplos contornos de rasas funduras
persistentes. Sobrelevadas nesta
desfeita arquitetura que me reconheço.

II

Senhor da minha morada, habita-me.
Pois há tanto tempo venho desejando
ser adentrada em moradia
que extenuada esqueço a mim
este pontiagudo bolor sobre a tua face.
Esta espalmada brancura negra GRIFANDO
uns círculos triangulosos em todo teu corpo
de indecisas-vastíssimas inexperiências noturnas.
A casa te propõe alicerce para te suster!
Água para lavares teu corpo de redundâncias!
Chão para te empenhares a erguer
negras colunatas de granito ao meu lado.
Tu sabes o porquê da noturnez da pedra não?
Se não, consulte a lista dos monumentos.
Vê. Olha-me com teu olhar contundo.
Habita-me em sorriso e permanência.

domingo, 5 de agosto de 2012

J'aime le souvenir de ces époques**

São inúmeros os fusos-horários
mas em mim há sempre um tempo:
tempo de amizade e memória.
E não me importa Miami
ou Petersburg,
não há caminhos exatos no mapa
até que nós os percorramos!
                           Antes
tudo é quieta geografia
e um pouco antes tudo é nada:
porque inexiste anterior à ideia
esboço de si que não a seja
existe! estilhaçada
               burilada
uma palavra-aérea
alicerçada
no sem-chão da memória.

Siletium II


Enquanto penso a poesia
nesta cidade Estado e país
alguém também o faz
talvez com maior êxito
e amplitude de palavras
                      do que eu
riscado nesta particular
parte do mapa. Grifado
Nuns traços vermelhos
sob um turbilhão de aspectos oculares
que vistos de cima
parecerão os postes
britando em luz
abafados gritos noturnos

Silentium

No doloroso silêncio noturno
eclodem milhões de porquês
centenas de ruídos ósseos,
estalos,
de pernas braços colunas
que flexionados severamente rompem
a dureza mineral da noite
ou sutilmente
vão (por vãos e desvãos)
desenhando estalagmites
nas brechas esquecidas pelo silêncio,
às alturas do até onde podem,
em busca de irromperem
               selvagemente
o presente passado luminoso
de meia dúzia de estrelas
                 inexistentes.


 


Teor Alcoólico


                                                                                                          A Danilo Audi
 

Difícil de beber vodka
é a ressaca
assim como da paixão
a indiferença.
Que te custa beber
um, dois, três... copos
mostrando em seguida
tatuado no rosto no peito
nas vísceras digestivas
              tua verdade?
A verdade está sob
artificiosos meios
que usamos para so-te-rrar
nossa seriedade
este impedimento constante
de nos deixar ser pássaro
loucura nos versos Artaud
                ou
realização pública em cadeia orgástica...
Vontade de ser
o além desta única vertente
à bela demonstração de teu verdadeiro eu
        sem artificialidade alguma.