quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Architectatiae Silentium



Teu passo à minha casa se fez estreito.
E mais prolongados meus olhos
a percorrerem, tetos muros desfiladeiros,
vestígios de caminhos percorridos por ti       
quando ainda te interessava
meu corpo sulcado de heras.
Vinhas e permanecias capaz
silenciar meu canto de nostalgia
se na palavra-Poesia eu te descrevia
FOME. Protuberância
pesando sobre meu corpo
riscado nuns dourados teus.
Deixastes riscado na minha face
múltiplos contornos de rasas funduras
persistentes. Sobrelevadas nesta
desfeita arquitetura que me reconheço.

II

Senhor da minha morada, habita-me.
Pois há tanto tempo venho desejando
ser adentrada em moradia
que extenuada esqueço a mim
este pontiagudo bolor sobre a tua face.
Esta espalmada brancura negra GRIFANDO
uns círculos triangulosos em todo teu corpo
de indecisas-vastíssimas inexperiências noturnas.
A casa te propõe alicerce para te suster!
Água para lavares teu corpo de redundâncias!
Chão para te empenhares a erguer
negras colunatas de granito ao meu lado.
Tu sabes o porquê da noturnez da pedra não?
Se não, consulte a lista dos monumentos.
Vê. Olha-me com teu olhar contundo.
Habita-me em sorriso e permanência.

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