sábado, 11 de outubro de 2014

IV CANTILENA A ORFEU



Orfeu,
ainda que entre nós permaneça
aquela que é insipida eloquência
e me obrigue a rir rasos risos
de lânguidos entardeceres vãos
e te desabituas de caminhares comigo.
Eu serei para ti porto e confitente.
E meus caminhos, os saberás de cor,
porque de sol constelações e fachos
os manterei acesos, para ti.
Mas, porém, que tua estendida ausência
de mim não demova a persistência
de ser para ti esteio que buscas,
tampouco evada tua canção lunada
desta memória que te cria e reclama.
Orfeu, que não se demore tua quietude.
Nem por outros desabituemo-nos
de nos ser.

terça-feira, 22 de julho de 2014

DIÂMETRO





Caminharei na noite latindo solidão.
Não! Não me acompanhais, irmãos!
cantarei a glacial desventura do amor
junto à arranha-céus de desdém
e exporei à constelação de marfim
enraizada no topázio da noite
recendendo ocres apelos de despudor
a improdigiosa herança do Poeta.
Caminharei na raquítica noite de sobrecenhos
e fundos esquadros de conjectura;
a falange do amor ecoando uníssona
sob a diáfana desatenção das retinas
em lençóis de linho pêlo suor.
No altar-fruteira, enferrujadas tangerinas
à espera da constatação...



29/06/2014



segunda-feira, 24 de março de 2014

III CANTILENA A ORFEU



E por que haverias de escolher-me?
Eu, que supus teu passo-água-viva
                                   des/percorrer
tantas vezes
o erodido oceano da ausência
rumo às fronteiras veranis do riso
e assisti nos teus olhos uma cadente verdade singrar este céu de íris                     rumando ôfega à alguma parte alguma em que te poderiam saber a coroa – ainda velejas]
E te pensei arrimo colunata alicerce
passo-âncora ao meu lado adentrando a rumorosa taciturnez do vir a  ser
onde, cumplices-desmedidos, percorreríamos sem comedimento,
tal qual aquele a caminhar sozinho.
E por que haverias de escolher-me?