Orfeu,
ainda que entre nós permaneça
ainda que entre nós permaneça
aquela
que é insipida eloquência
e
me obrigue a rir rasos risos
de
lânguidos entardeceres vãos
e
te desabituas de caminhares comigo.
Eu
serei para ti porto e confitente.
E
meus caminhos, os saberás de cor,
porque
de sol constelações e fachos
os
manterei acesos, para ti.
Mas,
porém, que tua estendida ausência
de
mim não demova a persistência
de
ser para ti esteio que buscas,
tampouco
evada tua canção lunada
desta
memória que te cria e reclama.
Orfeu,
que não se demore tua quietude.
Nem
por outros desabituemo-nos
de
nos ser.