quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Do não dizer mais que dizendo




Há no meu não dizer um mais que dizer.
E não dizendo vou te manifestando amor;
Porque é de silêncio-estilhaço a paixão.
Não de aridez e razão esse vermelho.

Do não dizer
te faço violência sobre a minha face.
Fundo traço de aguda expressão.
Pois se te fazes indiferente
à minha importância e poesia,
meu não dizer pesa delinquência
e vivo anos num só dia!



II

É de outono e ferrugem que tenho travado teu riso ao meu
De aridez e traças que mantenho meu querer silente ao teu.
Pois é de silêncio e prata meu corpo,
e o quero de intensos avessos oboés e cobres.
Por quê? Por que te assemelhas a mim
no canto de gozo e nostalgia.
E são de ouro nossas proporções
mesmo desfeitas e submergidas
à ordem do caos.
Entropia.




             




 


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