I
Se não me quiseres por perto,
manifesta-te.
Dize-me tua insatisfação no teu
rir ensolarado,
que de entardecer e nuvens me
farei ante tua face
um rir indevastado de sol
todo-inteiro-estilhaçado.
Antes, tua palavra era pluma e
metalescência.
E não havia em ti um premeditado
despedir-se
como há em Rilke [em despedida
sempre(!).]
Agora,
tudo é insipidez e advertência,
pois
predizes teu não-mais querer-me por perto
nos
inúmeros vestígios de adeus do teu corpo.
II
Era de
permanência o teu antes.
Por
que o meu verso te parecia
ostensiva
perfulgência.
E
noturno, vias nele, rara claridade:
por
que te convinhas perceber-te
arrimo
colunata e alicerce dele.
E
regozijado tu dizias ser
espaço
imensidão e céu
emanados
das reentrâncias do verso,
pois
ostentavas a nítida evidência
do teu
nome pervagar meu verbo.
III
Hás de
censurar-me a similitude da carne.
Também hás de
dizer-me que o teu nome
pervagar meu
raro verso já não mais pode,
porque é de
empenha e judiciosa clareza
que decanto o
verso para te verem nele
à luz de como te
vejo: cruíssima fereza.
Tomarás garganta
voz e palavras minhas?
Emudecerás a
úmida áscua do poeta?
Para quê? Para
te veres livre deste
insólito
alquimista do transitório,
arquiteto de
entardecidas manhãs,
que apreende em
poesia a fugacidade tua?
IV
"L’âge
mûr"
Que grande nada que tu
és se de mim te apartas!
A minha sombra tu foste
palavra e veemência
Exatos imprecisos
girassóis dentro da noite. Ave!
Abismo e penhascos fui.
Submergida constelação
a esmoer o rubro átomo
da rudeza? Também!
Te sorvi,
carótida-oquidão, incontáveis mil vezes
em garganta de ferrugem
e continências. Ávido!
É preciso que venhas
como vinhas, e não desprezes
o remanso torvelino da carne, ela te pressente.
Amor, há tempos tateio
a coruscante superfície do nada
E digo a mim é vão o
sentir, mesmo poeta.
De mim, a ti, sobrevêm
espera e placidez.
De ti, a mim, costado espádua
e omoplata,
amarelecidos risos de
submersos fugazes,
imprecisa geografia de
trilhada inexatidões.
Que queres, se não
aquele que te pensa e define,
e vive de intensos
extremos dizendo ourivesarias?
Que grande nada que tu
és se de mim te apartas!
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