quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

HERÓICA


Oh Homem, canta como quem chora!
Sê forte se em ti encerra-se uma aurora.
Tramonta ela na cordilheira do desdém?
Se sim te digo de frente, a minha também.
Canta nos pátinos pátios de granito
este ártico Saara que o peito te inundas;
em ti não imponha expressão muda.
Fala! Canta este fel que teu peito verte,
porque adaga, e te ferir por dentro há.
Dá voz a esta matilha de chacais
lobos leopardos emudecidos. Acorda
à expressão: diz aquilo que sentes.
Rasga o imperioso horizonte com a eloquência.
Escava este oceano de mordaça e atadura
e submerges à constelação do convir.
Oh homem, canta teu mais sincero.    

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

II CANTILENA A ORFEU



Orfeu,
Honra-me o riso. Canta meu tempo.
Extenua o arsenal que disponho
e supões muda minha eloquência,
porque de ti a tenho feito persistência.
Dá-me as costas, celebra o agora.
Caminha à minha frente, névoa-silhueta,
diz nossos passos nunca ritmados terem sido.
Honras-me com pavilhões de silêncio,
arranha-céus de desdém, dorso de marfim.
Supões na retina inteiro meus estilhaços:
verdes vermelhos amarelecidos de negro
sobrepairam meu cotidiano de ausência.