quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

HERÓICA


Oh Homem, canta como quem chora!
Sê forte se em ti encerra-se uma aurora.
Tramonta ela na cordilheira do desdém?
Se sim te digo de frente, a minha também.
Canta nos pátinos pátios de granito
este ártico Saara que o peito te inundas;
em ti não imponha expressão muda.
Fala! Canta este fel que teu peito verte,
porque adaga, e te ferir por dentro há.
Dá voz a esta matilha de chacais
lobos leopardos emudecidos. Acorda
à expressão: diz aquilo que sentes.
Rasga o imperioso horizonte com a eloquência.
Escava este oceano de mordaça e atadura
e submerges à constelação do convir.
Oh homem, canta teu mais sincero.    

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