quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

HERÓICA


Oh Homem, canta como quem chora!
Sê forte se em ti encerra-se uma aurora.
Tramonta ela na cordilheira do desdém?
Se sim te digo de frente, a minha também.
Canta nos pátinos pátios de granito
este ártico Saara que o peito te inundas;
em ti não imponha expressão muda.
Fala! Canta este fel que teu peito verte,
porque adaga, e te ferir por dentro há.
Dá voz a esta matilha de chacais
lobos leopardos emudecidos. Acorda
à expressão: diz aquilo que sentes.
Rasga o imperioso horizonte com a eloquência.
Escava este oceano de mordaça e atadura
e submerges à constelação do convir.
Oh homem, canta teu mais sincero.    

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

II CANTILENA A ORFEU



Orfeu,
Honra-me o riso. Canta meu tempo.
Extenua o arsenal que disponho
e supões muda minha eloquência,
porque de ti a tenho feito persistência.
Dá-me as costas, celebra o agora.
Caminha à minha frente, névoa-silhueta,
diz nossos passos nunca ritmados terem sido.
Honras-me com pavilhões de silêncio,
arranha-céus de desdém, dorso de marfim.
Supões na retina inteiro meus estilhaços:
verdes vermelhos amarelecidos de negro
sobrepairam meu cotidiano de ausência.







sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CANTILENA A ORFEU



                                                           “NÃO SE PÔS TERRA NEM MAR
                                                                                                  ENTRE NÓS, QUE FORAM EM VÃO,
                                                                                                  PÔS-SE VOSSA CONDIÇÃO
                                                                                                  QUE TÃO DOCE É DE PASSAR.”



Que este tempo não persista.
Não insista muros e muralhas:
cortinas de ocaso e soturnez
                    a dissuadir-nos.
Que este tempo não persista
e enfraquecido deserga
edifícios muros e muralhas
interpostos entre tu e eu
e rememore a cantilena de alfazema
a qual nós , esgarçados de convívio,
desabituamo-nos.  
Que este tempo, cúmplice-desmedido,
soerga dinamitados risos de amanhecer... 


Persistência da Memória - Salvador Dalí -